segunda-feira, 23 de março de 2009

Súmula introdutória do tema
Existem duas versões do protocolo IP: o IPv4, a versão actual que utilizamos na grande maioria das situações e o Ipv6, a versão actualizada que prevê um número brutalmente maior de endereços. No IPv4, os endereços Ip são compostos por 4 blocos de 8 bits (32 no total), através de números de 0 a 255. Os endereços IP incluem duas informações: o endereço de rede e o endereço de host. Endereços de 32 bits permitem cerca de biliões de endereços. O grande problema é que os endereços são sempre divididos em duas partes, rede e host e as faixas de endereços classe A consomem cerca de metade dos endereços IP disponíveis, o que representa um enorme desperdício, pois nenhuma delas é completamente usada. O mesmo se pode dizer dos endereços de classe B e C e dos de classe D e E que nunca foram implementados, apesar de parte dos endereços lhes estarem reservados. Mais uma séria limitação do IPv4 é a falta de uma camada de segurança, pois o mesmo não foi pensado para ser utilizado num ambiente completamente anárquico como é a internet actual.
Assim, o IPv6 surge como uma evolução do padrão de endereçamento actual (IPv4) e é representado através de caracteres hexadecimais em que temos 32 caracteres, organizados em octetos, separados por 2 pontos. O IPv6 é a versão 6, a mais actual do protocolo IP e está a ser implantado gradativamente, devendo funcionar lado a lado com o IPv4, em situação de “pilha dupla”. A longo prazo o IPv6 substituirá o IPv4, pois a previsão aponta para a exaustão de todos os endereços IPv4 livres. A implantação do IPv6 é inevitável num futuro próximo.
Ora a implantação do IPv6 deve-se a factores como: o esgotamento do IPv4; a necessidade de mais endereços na internet, pois os endereços livres IPv4 estão a acabar. Este esgotamento deve-se ao facto de a internet não ter sido projectada para uso comercial. Outros factores como a qualidade do serviço (o IPv6 suporta classes de serviço diferenciadas) e a mobilidade (o IPv6 suporta a mobilidade dos utilizadores através do endereço IPv6 de origem) motivam a implantação do IPv6.
Assim, o IPv6 vem colmatar falhas do IPv4, introduzindo novas funcionalidades, tais como: maior número de endereçamentos na internet; melhorias no routing; possibilidade de auto-configuração; operação em redes de alto débito; provimento de melhor segurança e protecção de dados no próprio protocolo; suporte para biliões de hosts; redução do tamanho da tabela de rotas; simplificação do protocolo; possibilidade de multicasting, de evolução futura do protocolo e de coexistência de antigos e novos protocolos.
O mais importante objectivo do IPv6 é, efectivamente, a convivência pacífica com o IPv4, pois é irreal esperar que todos os dispositivos ligados à internet mudem de protocolo repentinamente. A transição ocorrerá, neste sentido, de forma gradual. Hoje já é perfeitamente possível navegar em IPv6 puro, mas o suporte 6to4 não se encontra disseminado, apesar de já se caminhar na direcção de uma internet IPv6.
De facto, o IPv6 é um formato livre para qualquer interessado em conectar-se, é bem documentado e é possível configurá-lo automaticamente via multicast IPv4. Mas a verdade é que as entidades não migrarão em massa para o Ipv6 até que precisem de aceder a serviços apenas disponíveis em IPv6 e até que os endereços IPv4 esgotem por completo. Dito isto pode afirmar-se que o IPv6 já tem usos práticos nos dias de hoje e tem características únicas, que constituem autênticas novidades, nomeadamente: o espaço de endereçamento (128 bits); auto-configuração de endereço (suporte para atribuição automática de endereços numa rede IPv6, podendo ser omitido o servidor de DHCP a que estamos habituados no IPv4); endereçamento hierárquico (simplifica as tabelas de encaminhamento dos routers da rede, diminuindo assim a carga de processamento dos mesmos); formato do cabeçalho (totalmente remodelado em relação ao IPv4); cabeçalhos de extensão (opção para guardar informação adicional); suporte a qualidade diferenciada (aplicações de áudio e vídeo passam a estabelecer conexões apropriadas tendo em conta as suas exigências em termos de qualidade de serviço); capacidade de extensão (permite adicionar novas especificações de forma simples); encriptação (diversas extensões no IPv6 permitem, à partida, o suporte para opções de segurança como autenticação, integridade e confidencialidade dos dados).
A massiva popularização da internet trouxe um grave problema, que é a escassez de endereços disponíveis. Parte disto deve-se à má distribuição dos endereços IP actuais, em que grande parte destes simplesmente não são aproveitados.
O IPv6 promete “colocar ordem na casa”, oferecendo um volume brutalmente maior de endereços e uma migração suave a partir do padrão actual (IPv4). O IPv6 não é propriamente um projecto novo. Embora só agora comece a ter popularidade, ele vem sendo desenvolvido desde 1995. Assim, ele não constitui um “upgrade” do IPv4, mas um protocolo totalmente novo que promete solucionar muitas das falhas do IPv4. Pelo exposto percebe-se que o IPv6 se designe também por IP The Next Generation.

quarta-feira, 18 de março de 2009

A Comissão Europeia anunciou o objectivo de garantir que, até 2010, 25% das instituições públicas, privadas e particulares passem a suportar as suas presenças on-line sobre o protocolo IPv6, revela a Exame Informática.
A rede
IPv6 pretende substituir o antigo IPv4 que hoje dá suporte à grande maioria dos endereços IP existentes em todo o mundo e cuja capacidade se encontra já próxima do limite.

Informação consultada no site icorli9e.wordpress.com
O IPV6 é uma evolução do padrão de endereçamento actual onde, ao invés de endereços de 32 bits, são usados endereços de 128 bits. O número de endereços disponíveis no IPv6 é infinito. Seria o número 340.282.366.920 seguido por mais 27 casas decimais. Tudo isso para prevenir a possibilidade de, num futuro distante, ser necessária uma nova migração.
Por serem muito mais longos, os endereços IPv6 são representados através de caracteres em hexa. No total temos 32 caracteres, organizados em oito quartetos e separados por dois pontos.
No conjunto hexadecimal, cada caracter representa 4 bits (16 combinações). Devido a isso, temos, além dos números de 0 a 9, também os caracteres A, B, C, D, E e F, que representam (respectivamente), os números 10, 11, 12, 13, 14 e 15. Um exemplo de endereço IPV6, válido na internet, seria "2001:bce4:5641:3412:341:45ae:fe32:65".

Entender o IPv6-Estado da arte

"A massiva popularização da Internet trouxe um problema grave, que é a escassez de endereços disponíveis. Parte disso se deve à má distribuição dos endereços IPs actuais, onde algumas empresas possuem faixas de endereços classe A inteiras, fazendo com que grande parte dos endereços disponíveis simplesmente não sejam aproveitados.
Para início de conversa, 32 bits equivalem a nada menos do que 4.294.967.296 combinações. Destes, pouco mais de 3.7 bilhões de endereços são aproveitáveis, já que (entre outros) os endereços iniciados com 0, 10, 127 e de 224 em diante são reservados.
Além disso, a maior parte das faixas de endereços de classe A, que englobam as faixas iniciadas com de 1 a 126 são propriedade de grandes empresas, que acabam por utilizar apenas uma pequena faixa deles. Por exemplo, apenas a HP, sozinha, tem direito a duas faixas inteiras, uma ganha durante a distribuição inicial das faixas de endereços IP classe A e a segunda herdada com a compra da DEC. (...)
Um dos factores que vem reduzindo a pressão sobre os escassos endereços disponíveis é o uso do NAT.(...) Apesar disso, o NAT não é a solução para tudo. (...)
Chegamos então ao IPv6, que promete colocar ordem na casa, oferecendo um volume brutalmente maior de endereços e uma migração suave a partir do padrão atual (IPV4). Embora só recentemente o tema tenha ganho popularidade, o IPv6 não é exactamente um projecto novo. O padrão vem sendo desenvolvido desde 1995, (...) Entre os dois existiu o "IPV5", que era uma padrão de streaming que nunca chegou realmente a ser usado."

Esta informação foi retirada do site http://www.gdhpress.com.br/redes/leia/index.php?p=cap4-8, onde podes obter informação mais detalhada.

Rede mundial IPv6-Estado da arte

Hoje já é perfeitamente possível navegar na Internet em IPv6 puro.
A opção ideal sem dúvida seria um provedor capaz de trafegar IPv6 directamente, mas apenas alguns provedores no mundo suportam IPv6.
A segunda opção desejável é o protocolo 6to4, mas o suporte dos provedores a 6to4 também não é disseminado, muito embora seja o passo intermediário "natural" em direção a uma Internet IPv6.

Convivência entre IPv4 e IPv6

"O mais importante objectivo de projecto do IPv6 é a convivência pacífica com o IPv4. Seria irreal esperar que todos os dispositivos ligados à Internet mudassem para outro protocolo num mesmo dia e hora. A transição só pode acontecer se for gradual.
As questões de transição e convivência estão intimamente ligadas, e ainda são objecto de estudo, portanto muito já mudou neste tópico desde o projecto original do IPv6 até agora, e possivelmente soluções melhores que as actuais vão aparecer, na medida em que mais pessoas tomam contacto com o IPv6."

Esta informação foi retirada do site www.ipv6.br/IPV6/ArtigoProgramacaoSocketsBSDParte02, onde podes aprofundar a questão.

Usos práticos do IPv6 hoje-Estado da arte

"Muito embora HAGEN (2002) não recomende nenhum novo investimento de vulto em IPv4, a verdade é que as entidades (pessoas, empresas, instituições) via de regra utilizam a informática como meio de resolver problemas, e não como um fim em si, e não migrarão para IPv6 até que:
a) precisem de aceder serviços disponíveis apenas em IPv6;
b) os endereços IPv4 esgotarem-se de todo.
Nenhuma das duas coisas deve acontecer no futuro breve. O mais provável é que os endereços IPv4 se tornem assintoticamente mais escassos; os critérios cada vez mais rígidos de alocação impedirão seu esgotamento total.
É certo porém que, para o usuário final, tornar-se-à praticamente impossível obter um endereço IPv4 público e estático. Isso já é uma realidade, se consideramos que os endereços dinâmicos singelos atribuídos a linhas discadas e ADSL impedem o usuário de hospedar um domínio, tornando-o um cidadão de segunda classe na Internet. Outros truques que provedores usam (e.g. Redirecionamento de tráfego Web para enlaces baratos e roteadores NAT) tornam o usuário um net-cidadão de terceira classe, sem IP público, cuja percepção de Internet restringe-se ao protocolo HTTP.
Dito isto, existe algum uso prático do IPv6 nos dias de hoje?
Sim, existe. O IPv6 tem características únicas que o tornam útil mesmo se não houvesse perspectiva de uma Internet IPv6.
A principal delas é a auto-configuração. (...) cada interface de um nó IPv6 tem um endereço auto-configurado, baseado no endereço de enlace. Muito embora esse endereço seja apenas local (não pode trafegar na Internet), costuma ser suficiente.
Isso pode ser útil num ambiente com dispositivos embarcados, onde não se pode esperar haver um administrador de rede. Tanto os dispositivos como os eventuais servidores têm de ser totalmente stateless, o que exclui o uso de DHCP e outros protocolos afins.
Adicione-se redes wireless a este cenário; distribuição de endereços IP é um problema sério em redes wireless. Todas as soluções (...) têm vantagens e desvantagens. Todas têm alguma necessidade de configuração.
Numa rede wireless IPv6, assumindo não haja divisões da rede em segmentos de terceira camada, o DHCP é completamente desnecessário. Dependendo da situação, pode optar-se mesmo por redes ad-hoc, sem pontos de acesso.
A auto-configuração não se restringe a uma rede local singela; pode-se utilizar os endereços site-local auto-configurados e atribuir o prefixo de rede de forma dinâmica, desde que haja ao menos um router configurado para isso. Numa aplicação isolada, pode-se despachar o dispositivo-router com números de rede fixos."
Consulta o site www.ipv6.br/IPV6/ArtigoProgramacaoSocketsBSDParte02 para informações mais pormenorizadas. Esta informação foi retirada do mesmo.